Um salto de fé pelas águas da vulnerabilidade.
- danielegiangiardi
- 23 de jul. de 2023
- 5 min de leitura
Atualizado: 29 de dez. de 2023

Todos os rios correm para o mar, porém o mar não fica cheio. A água volta para onde nascem os rios, e tudo começa outra vez.
Eclesiastes 1:7
Naquela manhã, ao tentar entender suas fragilidades, teve muita dificuldade em encontrá-las, o que a fez perceber o quanto fugia delas como um padrão que ainda não havia percebido em si mesma. Aquilo a deixou curiosa. Quais seriam as suas fragilidades?
Propôs-se a escrever, mas nada vinha à sua mente. Pediu ajuda e o primeiro passo foi dado, como uma porta que, depois de aberta, permitiria uma breve entrada de luz. Ao escrever sobre aquilo de que, com tanto fulgor, há tanto tempo fugia, descobriu que havia algo em comum em cada um dos itens da lista: A FALTA DE CONTROLE.
Entendeu que suas fragilidades se relacionavam às coisas que não eram possíveis de se controlar e com as quais ainda não havia aprendido a lidar e, por este motivo, as negava e não as aceitava em sua vida. Junto com isso lembrou-se, com muita raiva, que tentar evitar aquelas terríveis situações não impediria que elas acontecessem mas, com toda certeza, bloqueariam a efetiva fluidez das águas límpidas do rio da sua vida.
Mas como aprender a sentir-se vulnerável se era algo que a deixava tão desamparada, sozinha, sem visão de futuro, sem solução e com uma grande sensação de perigo? É como se ela se dispusesse a encarar, nua, sem comida e sem abrigo, o frio congelante do maior inverno de sua vida.
ADORAVA sentir-se forte e RESOLVEDORA DE SEUS PRÓPRIOS PROBLEMAS e, portanto, sentia-se fraca e inútil quando não controlava as respostas, não sabia enxergar a solução dos medos apresentados no caminho do desconhecido. Eram situações cujas ferramentas ainda não estavam disponibilizadas em sua mochila de possibilidades. Havia aprendido a ser forte e a superar suas dores, mas quando olhava para aquelas fragilidades, se sentia tão angustiada que se perdia de quem era e não se reconhecia forte como sempre fora! Não reconhecia a parte fraca e impotente de si mesma, o que não a permitia crescer e fluir rumo ao GRANDE E PODEROSO MAR da sua própria vida.
Indo um pouco mais profundamente entendeu que suas fragilidades estavam relacionadas às coisas que tinha muito medo, dúvidas e sensação de falta de controle dos possíveis erros e problemas gerados por si mesma no caminho da construção do novo que tanto buscava, o que, se desse errado, geraria em si uma grande sensação de culpa e arrependimento.
Ela gostava de controlar seus acertos e gostava de acreditar que era possível não ter problemas. Pensar na possibilidade de não ser capaz de resolver seus próprios perrengues trazia a si mesma uma sensação de impotência, fraqueza e a colocava em um lugar de dependência e fragilidade. Para piorar, percebeu que a mesma crença valia para as pessoas que amava, pois estas não deveriam sentir-se frágeis já que este não era um sentimento bom para se sentir e que doía na alma.
De repente, em um relance de insight, percebeu que o ciclo da não aceitação das coisas que lhe fragilizavam geravam ainda mais fragilidade, medo e fuga, o que jamais traria a solução para aquilo que tanto lhe afligia. Observou que entrou em um ciclo vicioso que jamais poderia acabar, deixando suas águas límpidas da sua vida apodrecendo no tempo enquanto observava, de perto, o rio de outras vidas seguindo seu propósito com coragem e aceitação das pedras que encontrariam pelo caminho.
Sentiu que precisava ressignificar suas fragilidades, percebendo que os desafios e erros faziam parte da construção do seu processo de evolução, encarando-os com alegria e gratidão, já que seria inútil temer aquilo que não se poderia evitar.
Refletiu então que precisava aprender a dar SALTOS DE FÉ, como os grilos, que pulam alto sem nenhuma certeza de onde cairão. Eles simplesmente pulam, aprendendo a resolver seus desafios quando já estão no caminho, já que nada se aprende aquele que se põe a deitar e esperar.
De repente, se lembrou que sua alma ADORAVA SOLUCIONAR PROBLEMAS e que, geralmente, construía soluções com facilidade. Por que não se envolvia na solução destes desafios ao invés de fugir deles? O motivo de ainda ter medo daquilo era o fato de ainda não ter vivenciado aquelas experiências, as quais se acontecessem, lhe dariam a oportunidade de aprender as lições de que tanto evitava.
Lembrou-se de olhar para suas fragilidades com carinho, observando-as como coisas que AINDA não havia aprendido a resolver simplesmente porque a solução só vem quando nos colocamos no caminho com coragem. Recordou então que, PARA TUDO HÁ UMA SAÍDA, e que esses eram só alguns dos itens que ela ainda não havia aprendido a resolver, mas quantos outros já havia superado e aprendido? Aliás, como foi mesmo que ela havia aprendido a resolver as outras situações? Foi fazendo algo diferente de se colocar no caminho para enfrentá-las com aceitação?
Lembrou-se de que quem dá SALTOS DE FÉ diante de desafios respeita o mistério da fonte que o gerou e confia em sua eterna sabedoria, acreditando que, aos poucos, receberá tudo o que precisa para percorrer os caminhos incertos da vida.
Fez então um movimento rumo às suas potencialidades. Escreveu suas melhores ideias sobre o que é ser potente e ter uma potencialidade. Entendeu que é algo que se faz com facilidade, prazer e alegria. É algo em que se acredita fortemente e que não se duvida. É estar ativo, forte e ter certeza e coragem. Foi então que encontrou e escreveu soluções e frases que a ajudariam a evitar ou resolver cada uma das fragilidades listadas, permitindo que o rio da incerteza fluísse em paz rumo ao seu mar de possibilidades.
Por fim, teve a felicidade de perguntar-se quando foi a última vez que conseguiu dar um SALTO DE FÉ. Ali encontrou suas respostas, criou seus planos de ação e atendeu ao seu chamado.
Suspirou com alívio e percebeu, com misericórdia, que a humanidade sofre por não saber como dar SALTOS DE FÉ, se retraindo, se escondendo de si mesmos, não colocando suas identidades no mundo, e levando as águas de seus rios para se estancarem paradas na dor do medo. Seria tão mais simples se todos soubessem, no fundo de seus corações, que não importa O QUE farão desde que façam coisas que toquem suas almas com alegria e gratidão.
Concluiu que não há conhecimento sem experiência e que o aprendizado só chega quando nos colocamos na posição de humildes aprendizes que respeitam seus erros e que sabem que é inútil tentar entender e prever as coisas antes que elas aconteçam, já que o aprendizado virá conforme dermos pequenos passos, um de cada vez. E falando em andar, já que temos que fluir e caminhar, que andemos de forma a dançar como as águas de um rio que não sabe aonde vai chegar, mas que consegue se deixar levar para o seu tão desejado mar.
Decidiu então atender ao seu chamado, escrever e compartilhar seu breve aprendizado, desempoçando suas águas paradas e colocando-se, novamente, no curso de seu próprio rio, para que este, um dia, chegue ao mar e outra vez, torne-se um novo e lindo rio.
Continua...







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